22 de dezembro de 2016

{Resenha} Madame Bovary

Madame Bovary
Título Original: Madame Bovary / Moeurs de province
Autor (a): Gustave Flaubert
Editora: Martin Claret
Número de Páginas: 400
Ano de Publicação: 2014 (edição) / 1857 (publicação original)
Sinopse: Madame Bovary é um romance que foi escrito por Gustave Flaubert e que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. O livro é considerado pioneiro dentre os romances realistas; não somente, o livro tornou-se famoso por sua originalidade, o qual posteriormente levou a cunhagem do termo de psicologia bovarismo, em referência as características psicológicas da protagonista da obra. Quando o livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento. O romance conta a história de Emma, uma mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo, que aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao indissolúvel casamento ao qual a protagonista se sente presa. Emma, cada vez mais angustiada e frustrada, busca no adultério uma forma de encontrar a liberdade e a felicidade. Apesar da intensa procura de uma vida digna, dificilmente consegue sentir-se satisfeita com o que é e o que tem.
 

De uns tempos para cá me interessei por ler os clássicos que normalmente quem tem a paixão pela leitura já leu, ou pelo menos conhece a história. O clássico dessa vez foi “Madame Bovary” de Gustave Flaubert.

Eu começo a resenha tecendo um milhão de elogios à Editora Martin Claret pela edição maravilhosa. O capricho começa na capa, que apesar de simples em gráficos, possui seu charme pelo material e pela edição por dentro. São detalhes que tornaram o livro como um dos meus favoritos no quesito beleza de edição. A história é dividida em 3 partes, e no início de cada parte há uma folha decorada.

Madame Bovary é um romance clássico publicado em 1857 e considerado como pioneiro dentre os romances realistas. A leitura de Madame Bovary para mim não foi simples. Há certa demora dos acontecimentos no decorrer da trama, e em um dado momento a leitura se torna monótona e arrastada. 

Charles Bovary é médico, homem simples, que gosta da rotina na vida. Por um acaso, Charles é chamado para cuidar de um senhor, e este por sua vez tinha uma filha chamada Emma Rouault. Emma diferente de Charles, apesar de viver no interior, sonhava com uma vida agitada, com um marido culto, que soubesse conversar com ela sobre livros, música, e que a fizesse viver um romance de contos dos livros que ela tanto amava ler. Eles então se casam. Todos os dias Charles visitava os pacientes e ao chegar em casa esperava encontrar sua esposa pronta para recebe-lo. Em contrapartida, Emma, cada dia mais se cansava daquela vida. Contrariada com Charles e frustrada por não ter a condição social que o marido podia lhe oferecer, Emma cada vez mais se entristece e começa a então procurar a felicidade fora do lar.
“Mas, à medida que crescia a intimidade entre as suas vidas, desenvolvia-se um distanciamento interior que a desligava dele.” – Trecho pg. 63
Infelizmente eu não consegui sentir empatia nem por Emma e muito menos por Charles. Enquanto achava Emma mimada, também acreditava que a passividade de Charles era inacreditável. Apesar disso o autor consegue dar características tão marcantes em cada personagem, que o leitor se envolve com as vidas dos respectivos.

Outro detalhe que me incomodou foram as inúmeras notas de rodapé inseridas na trama. Quando a nota é informativa, ou algum detalhe da trama da época eu acho que completa a narrativa, porém há muitas notas informativas de outras obras que complementam a ideia que Gustav quis passar com o determinado trecho. O problema é que são tantas, que se o leitor parar para ler todas as obras complementares, Madame Bovary seria lido em no mínimo meses.

Em contrapartida, algo que muito me interessou foi a narrativa. Na obra o narrador é onisciente, ou seja, a narração é na terceira pessoa e o narrador sabe de tudo o que se passa na trama. Neste caso, o narrador é quase um personagem da obra, o que também muitas vezes influencia o leitor nas diversas interpretações dos acontecimentos e das atitudes dos personagens.

O romance na época foi muito criticado e tomou uma proporção que o autor foi levado ao tribunal, aonde citou a frase: "Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu) para se defender das acusações.
“Quanto a Emma, ela não se interrogou para saber se o amava. O amor, ela imaginava, deveria chegar de repente, com grandes trovões e relâmpagos, - furacões dos céus a cair sobre a vida, transtornando-a, arrancando as vontades como se fossem folhas e levando ao abismo o coração inteiro.” Trecho pg. 133
Posteriormente, criou-se o termo Bovarismo, introduzido pelo filósofo francês Jules de Gaultier, referente ao romance, e cujo sentido é um estado de insatisfação contínua produzida pelo contraste de ilusão/aspiração e realidade.

Eu vejo da seguinte maneira: será mesmo que apenas Emma foi errada? Charles era um homem ao extremo ingênuo ou era acomodado e conformado? Em suma, Madame Bovary é uma obra que trata da insatisfação de uma mulher após seu casamento, e que não aceita viver os regimes religiosos, políticos e sociais da época. 


2 comentários:

  1. O que me irrita em Emma e em Charles é como eles são egoístas, poxaaaa a filha deles não existe para eles. Quando li esse livros há quase uma década atrás minha grande antipatia pelos Boravy se deveu justamente a isso, achei eles irresponsáveis com a criança que fica a míngua.

    Sempre digo que desejo ler essa história novamente com um olhar de uma mulher de 30, pois aos 18 anos tem uma infinidade de minúcias sobre a vida adulta que nos escapa. Essa edição da Martin Claret ativa mais ainda minha vontade, acho ela linda demais!

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  2. Oiiiiii

    Madame Bovary eu li há um tempão, acho uma história envolvente, mas confesso que clássicos as vezes me cansam, pela linguagem.
    Essa capa está maravilhosa, amei essa edição.

    Beijos

    resenhaatual.blogspot.com

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