29 de março de 2017

{Resenha} De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana

De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana
Título Original: De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana
Autor (a): Mário de Andrade
Editora: Martin Claret 
Número de Páginas: 470
Ano de Publicação: 2017
Sinopse: Neste volume reúnem-se diversas obras em verso que marcaram a carreira de Mário de Andrade, entre elas "Pauliceia desvairada", "Losango Cáqui", "Clã do Jabuti", "Remate de males", "O carro da miséria", "A costela do grã cão", "Livro azul", "Café" e "Lira paulistana". Uma edição imperdível que permite-nos compreender melhor a concepção dos modernistas brasileiros.
 

A resenha deste livro não foi fácil e me perdoem, pois eu não me aprofundarei em conceitos sobre a literatura modernista, mas creio que vocês deveriam ter a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a obra De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana, por Mário de Andrade.

A Editora Martin Claret fez um trabalho incrível de juntar várias obras do autor Mário de Andrade em apenas uma. E esta mesma, diga-se de passagem, está maravilhosa no quesito aparência, e edição. As obras são: poemas de "Pauliceia desvairada", "Losango Cáqui", "Clã do Jabuti", "Remate de males", "O carro da miséria", "A costela do grã cão", "Livro Azul", "Café" e "Lira Paulistana".


A edição é de capa dura, há uma imagem belíssima da paisagem de São Paulo, e o interior há algumas páginas que dividem as obras também muito bem trabalhadas. Além da contracapa que remete às calçadas de São Paulo.

Meu São Paulo da garoa,
– Londres das neblinas finas –
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico.

Lira Paulistana

Resenhar poesias e poemas é uma dificuldade particular que tenho. Eu sou do tipo de pessoa que ora entende e adora, ora entende e não gosta, e ora penso: “o que o autor quis dizer com isso?”. Nesta obra mesmo, havia vários momentos que eu tentava ver de outros ângulos a perspectiva do autor, e no final eu tinha a minha perspectiva, que só Deus sabe se era ou não a mesma. Viram como é difícil opinar sobre esse gênero? No fim, a minha visão é que poesia é muito pessoal, e gostar ou não é relativo, assim como entender ou não o que o autor quis passar em seus versos.

E quem foi Mário de Andrade? Mário Raul Moraes de Andrade, poeta, escritor, nascido em São Paulo, e um dos pioneiros da poesia moderna brasileira.

Em muitas de suas criações, Mário usa de cenário a terra da garoa, São Paulo, e cita vários pontos de referência da cidade, como Rio Tietê, São Bento, Trianon. E é tanta a sua paixão por essa cidade que ele, por meio de versos, dá ao leitor uma visão geral desde como eram os costumes, os diferentes cheiros (o do Rio Tietê com certeza mudou!), e as cores, principalmente a cor cinza de São Paulo.

Era uma vez um rio...
Porém os Borbas-Gatos dos ultranacionais esperiamente!
Havia nas manhãs cheias de Sol do entusiasmo
as monções da ambição...
E as gigânteas vitórias!
Tietê – Pauliceia Desvairada

Mario de Andrade tem uma leveza e até mesmo deboche em sua escrita e é nítida a diferença entre a escrita das obras. Ler “Pauliceia Desvairada” e "O carro da miséria", por exemplo, é sem dúvida, afirmar que uma coisa é uma coisa e a outra é outra bem diferente. Explicando melhor, a forma da escrita muda, assim como o ritmo e as emoções. 

“Quanto sinto a impulsão lírica escrevo sem
pensar tudo o que meu inconsciente me grita.
Pensou depois: não só para corrigir, como para
justificar o que escrevi. Daí a razão deste
Prefácio Interessantíssimo.”
Aqui um trecho pessoal na resenha, ainda com relação ao plano de fundo, eu moro em São Paulo faz quase 20 anos, e honestamente, por mais que as pessoas me achem louca, eu me acostumei com esse ritmo doido dessa cidade de pedra e creio que se eu mudasse daqui, sentiria falta dessa loucura que é viver em São Paulo. Aqui toda hora é hora. Se eu preciso de uma papelaria aberta 2hrs da manhã, é possível que eu ache! Se quero comer uma pizza às 4hrs da manhã, certamente terá uma bem quentinha me esperando. As pessoas são frias? Nem todas... mas a correria certamente existe! O relógio é inimigo de todos, e aliado ao trânsito a cidade fica um caos. Mas depois de tanto tempo, a calmaria já seria estranha para mim.


Voltando à obra... O contato que tive com o autor e com as obras foi desde o colégio e principalmente no cursinho, e na época era muito comentada a questão dos movimentos literários, como o modernismo, e sobre Semana de Arte Moderna de 1922. Creio que para quem cursa ou cursou letras, e se aprofundar mais sobre o autor e suas obras, este livro é um prato cheio para melhor conhecimento de ambos.
Rapazes, não confundam a calma destas linhas preparatórias com a melancolia comum. Não tem melancolia aqui. Sou feliz. Estou convencido que cumpro o destino que deviam ter meu corpo em sua transformação, minha alma em sua finalidade.
O importante é que independente de você entender ou não tudo sobre literatura, e sobre os movimentos literários, é que você sinta a paixão na qual o autor tenta transferir para o leitor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário