5 de março de 2017

{Resenha} Villette

Villette
Título Original: Villette
Autor (a): Charlotte Brontë
Editora: Martin Claret
Número de Páginas: 856
Ano de Publicação: 2015 (edição)/ 1853 (publicação original)
Sinopse: "Villette" é, de muitas formas, um romance delicado e deliciosamente difícil. Tudo o que diz respeito à sua heroína, Lucy Snowe é encoberto por uma névoa de inacessibilidade e uma certa escuridão que sustenta a narrativa. Lucy se muda para a cidade fictícia de Villette, onde será professora de inglês em um internato. Ali, será confrontada pelos traumas do passado enquanto completa seu percurso de heroína, com os dessabores e conquistas de uma mulher vitoriana, mas eternamente atual. Uma obra-prima de Charlotte Brontë.
 

Após a leitura de Jane Eyre {Leia a Resenha} cuja escrita da autora Charlotte Brontë me encantou por completo, resolvi me aventurar em seu outro romance, menos conhecido, porém não menos brilhante e bem escrito.

A edição da Martin Claret está linda como sempre. A capa é delicada e simples, mas muito bela. Quanto a diagramação, algo que me incomodou um pouco foram as notas de rodapé estarem ao final do livro, e as notas eram traduções de trechos em francês, com isso toda hora era necessário ficar virando o final do livro para compreender o contexto.

Lucy Snowe depois de adulta, e após encontrar muitas dificuldades na vida, decide deixar tudo para trás e começar uma nova vida em Villette. Lá ela trabalha inicialmente como preceptora para ensinar as filhas da diretora do colégio e posteriormente como professora deste colégio, onde a diretora é Madame Beck, uma mulher com classe e com personalidade bem intrigante.
“O que eu estava fazendo ali, sozinha na grande Londres? O que deveria fazer na manhã seguinte? Quais perspectivas tinha na vida? Que amigos tinha na face da Terra? De onde eu tinha vindo? E para onde deveria ir? O que deveria fazer?” – Trecho pg. 89
Durante sua permanência no colégio, Lucy conhece vários personagens e reencontra outros cuja importância em sua vida foi enorme. É o caso de sua madrinha Mrs. Bretton, que cuidou de Lucy parte de sua infância e seu filho John Graham Bretton, que após os anos, se tornou médico, e se tornou grande amigo de Lucy. Há também uma personagem peculiar, a pequena e mimada Polly (Paulina Mary de Bassompierre), introduzida logo no começo da narrativa e que posteriormente cresce e se torna uma bela e inteligente jovem. E claro, como mencionada, Madame Beck é uma personagem muito importante na trama e seu primo M. Paul Emanuel que muito ensinará à protagonista.

Lucy é uma personagem de grande fascínio para mim. Ao mesmo tempo que ela é quieta, e dando a impressão de fragilidade, em contrapartida ela tem muita coragem e sacadas muito inteligentes.
“ – Eu quero dizer que valorizo a visão, e tenho medo de ser cegada.” – Trecho pg. 706
E não tem como comparar Villette com Jane Eyre, nem personagens, e nem mesmo o estilo literário. Jane Eyre é bem mais romântico, ilustra muito a relação homem e mulher, enquanto Villette, segue uma linha de biografia, história de vida, sem focar em um casal específico.

Assim como em Jane Eyre, a autora acrescenta traços de um romance gótico, com a introdução de uma figura de um espírito de uma freira que fora enterrada nos terrenos do colégio, e posteriormente a autora explica o acréscimo deste detalhe na trama.

A narração é na primeira pessoa e a trama decorre lentamente. No prefácio da obra, é discutido a questão de como Lucy Snowe se comunica com o leitor, e como em várias passagens temos a impressão de que nem tudo ela está contando como realmente são os fatos.
“Antes que você faça algum comentário a respeito da imprudência desse procedimento, leitor, olhe em retrospectiva para o ponto do qual parti; considere o deserto que eu havia deixado para trás, observe quão pouco eu me arriscaria: o meu era um jogo em que o jogador não pode perder, e tem condição de ganhar.” – Trecho pg. 112
O romance Villette se assemelha em muitos aspectos às experiências de vida da própria autora Charlotte Brontë em sua época na Bélgica e há quem afirme que o romance se trata de uma autobiografia da mesma.


Assim como em Jane Eyre, Charlotte, cria uma protagonista feminina, com personalidade forte, a frente do tempo da trama, que faz críticas aos costumes das outras mulheres da época. Lucy não só acredita que o casamento não é tudo na vida da mulher, como também critica a questão de religião, comparando o catolicismo com o protecionismo.

Villette é um livro que deve ser lido com muita calma, e prestando atenção nos detalhamentos da trama. Posso até mesmo dizer que para mim foi uma leitura difícil, mas que no final valeu a pena! 

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