13 de abril de 2017

{Resenha} Garota em Pedaços

Garota em Pedaços
Título Original: Girl in pieces
Autor (a): Kathleen Glasgow
Editora: Planeta / Outro Planeta
Número de Páginas: 384
Ano de Publicação: 2017
Sinopse: Além de enfrentar anos de bullying na escola, Charlotte Davis perde o pai e a melhor amiga, precisando então lidar com essa dor e com as consequências do Transtorno do Controle do Impulso - um distúrbio que leva as pessoas a se automutilarem. "Viver não é fácil". Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica - para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida -, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores. Cansada de se alimentar do sofrimento, a jovem se imbui de uma enorme força de vontade e decide viver e não mais sobreviver. Para fugir do círculo vicioso da dor, Charlotte usa seu talento para o desenho e foca em algo produtivo, embarcando de cabeça no mundo das artes. Esse é o caminho que ela traça em busca da cura para as feridas deixadas por suas perdas e os cortes profundos e reais que imprimiu em seu corpo.
 

Faz um tempo que vi a divulgação da Editora Planeta sobre este livro, e com os assuntos bullying, suicídio e automutilação em alta, decidi ler a história da “Garota em Pedaços”.
“Eu cortei todas as minhas palavras fora. Meu coração estava cheio demais delas.” – Trecho pg. 9
A garota em questão é Charlotte Davis, e ela está em pedaços desde a morte de seu pai, desde o suicídio de sua amiga, desde as brigas com a mãe. Percebam que uma série de fatores são os motivos que levam Charlotte a se mutilar. Além da dificuldade de ter alguém para conversar, e se apoiar, e até mesmo pela falta de um lar, um amparo.


Charlotte é uma protagonista jovem (ela faz 18 anos ao final da narrativa), e apesar de ser nova, já viveu muitos perrengues na vida. A história começa com Charlie no Creeley Center, um centro de apoio à jovens com vários tipos de transtornos, dentre eles a automutilação. Logo, o leitor é apresentado aos dramas da protagonista e o que a levou a estar naquele local.
“O corte é uma cerca que você constrói no próprio corpo para manter as pessoas do lado de fora, mas depois você chora para ser tocada. Mas a cerca é de arame farpado. E agora?” – Trecho pg. 345
Junto a Charlie, a autora insere outros personagens com problemas semelhantes aos dela, como garotas usuárias de drogas que se queimavam, garotas que se cortavam de diversas formas, ou seja, jovens marcadas por um passado que as afetou de alguma forma.

Apesar de não ser uma leitura fácil, justamente pelo tema proposto e pela maneira a qual a história foi narrada, consegui terminar a obra em um dia. A narrativa é toda na primeira pessoa, na visão da protagonista Charlotte, no tempo presente, com lembranças de seu passado.
“Meu corpo está em chamas o tempo todo, me queimando dia e noite. Tenho que cortar esse calor infernal. Quando me limpo, me lavo e me recomponho, me sinto melhor. Mais fria por dentro e mais calma.” – Trecho pg. 32
A escrita da autora é diferente, porém envolvente. O livro é divido em 3 partes (Que história você tem para conta, raio de luar? / Eu poderia ser uma garota, uma garota de verdade. / E agora?), e cada parte tem vários capítulos, não enumerados, curtos (alguns não dão meia página), e que tornam a leitura dinâmica. 


Ao mesmo tempo que eu tentava entender o lado de Charlotte, eu não conseguia compreender como ela se afundava cada vez mais e não percebia os fatos. Em vários momentos eu ficava irritada com a protagonista, mas depois eu compreendia que ela havia passado por muita coisa e ainda era muito jovem. E por mais bravo que você fique com Charlie, no fundo, você torce para que ela saia daquilo o mais rápido possível.
“Eu pisco para mim mesma. Eu poderia ser uma garota, uma garota real. [...] Não poderia?” – Trecho pg. 179
Um ponto negativo da obra foi a falta de profundidade em alguns assuntos que poderiam ter sido melhor abordados. Um exemplo foi o bullying que a protagonista sofreu na infância e que foi mencionado na sinopse. É comentado que ela não se encaixava no colégio, e que sua amiga Ellis foi a única que lhe acolheu, mas o que acontecia de fato não foi abordado. Outro ponto é a questão da família, sendo que o pai faleceu, e a mãe não conseguiu cuidar direito de Charlotte. Mas senti falta de mais detalhes sobre a mãe, tanto no começo, no meio e no fim da narrativa.

Ao final da leitura, eu fiquei perturbada em pensar na história de cada uma das meninas, e como somos frágeis tanto psicologicamente quanto fisicamente. Com certeza é uma leitura que irá te prender e que merece ser conhecida.

Um comentário:

  1. oi, gostaria de saber o final do livro minha amiga tinha me emprestado o livro, acabou indo embora e levou o livro junto com ela, to muito curiosa, poderia me ajudar <3

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