15 de abril de 2017

{Resenha} O Príncipe Feliz e outras histórias

O Príncipe Feliz e outras histórias
Título Original: The Happy Prince and Other Stories
Autor (a): Oscar Wilde
Editora: Martin Claret
Número de Páginas: 208
Ano de Publicação: 2017
Sinopse: Com uma obra voltada para o público infanto-juvenil, Oscar Wilde, que escreveu essas histórias para seus filhos, cria uma série de contos cheios de referências culturais e ensinamentos morais pautados em fatos corriqueiros inundados de amor, ingenuidade, e até mesmo dualidades como riqueza e miséria, beleza e feiura. A história principal "O príncipe feliz" é uma lição de companheirismo e bondade.
 

Sabe quando você assiste à um filme, ou lê algum livro citando algum autor, e você pensa, poxa nunca li nada dele? Acontecia isso comigo e com o autor Oscar Wilde. O autor ficou muito famoso por sua obra “O Retrato de Dorian Gray”, obra que por sinal, ainda não li, mas após a leitura de “O Príncipe Feliz e outras histórias”, com certeza irei ler.

Admito que ao receber o livro, eu esperava uma obra boa, principalmente pelo conceituado autor, mas não esperava que a obra fosse me surpreender tanto e entrar na minha listinha de favoritos do coração.
“O Amor é maravilhoso, realmente. É mais precioso que esmeraldas, e mais desejado que a fina opala. Pérolas e romãs não o podem comprar, nem está à venda no mercado. Não pode ser comprado pelos comerciantes nem pode ser aquilatado em balanças que pesam o ouro.” – Trecho de O Rouxinol e a Rosa
A edição da Editora Martin Claret está maravilhosa. A capa chama a atenção e as ilustrações e detalhes internos fazem o leitor se apaixonar ainda mais. Cada conto se inicia com uma página preta, com o título do conto, e quase todos possuem uma ilustração referente à história.


Os contos mais curtos são 5:
  • O Príncipe Feliz
  • O Rouxinol e a Rosa
  • O Gigante Egoísta
  • O Amigo Devotado
  • O Notável Foguete
E logo vem 4 um pouco mais longos intitulados na sessão “Uma Casa de Romãs”, e são:
  • O Jovem Rei
  • O aniversário da Infanta
  • O Pescador e sua Alma
  • O Menino-Estrela
Todos os contos fluem de maneira bem rápida, e o livro apesar de curto, preenche completamente nossos tempos e corações.

O conto que deu o título da obra é “O Príncipe Feliz”, mas apesar disto, meu conto preferido foi “O Gigante Egoísta”. O conto me tocou e já o li uma série de vezes para as pessoas de tão belo e cativante que ele é.
“Em toda árvore que ele pôde ver havia uma criança. As árvores ficaram tão contentes com as crianças ali de volta, que se cobriram de flores e balançavam os braços gentilmente sobre a cabeça delas. Os pássaros voavam em torno e cantavam com deleite, as flores olhavam entre a relva e riam. Era uma cena adorável” – Trecho de O Gigante Egoísta
No conto de “O Príncipe Feliz”, Wilde dá vida à uma estátua e à uma andorinha, que juntos retratam a pobreza, a diferença das classes sociais e a ironia do título “feliz”, que nada tinha de alegre o príncipe.
“A pobre andorinha sentia mais e mais frio, mas não abandonava o Príncipe, ela o amava profundamente.” – Trecho de O Príncipe Feliz
Outro conto o qual gostei muito e chorei muito também (sim, eu sou chorona e vocês sabem disso), foi “O Pescador e sua Alma”, o qual foi demonstrado que o amor é grandioso, e que apesar das tentações e pecados do mundo, o amor consegue vencer.
“ – O Amor é melhor que a Sabedoria, mais precioso que as Riquezas e mais belo que os pés das filhas dos homens. O fogo não o pode destruir, nem as águas podem apagar sua chama. [...] ” – Trecho de O Pescador e sua Alma
Muitos dos contos são tristes, mas TODOS possuem uma moral e uma lição que com certeza vale a pena entender e filosofar sobre. Creio que para crianças, admito que alguns contos, dependendo da maneira que serão contados, irão traumatizar um pouco a criança.


Oscar Wilde dá vida à objetivos inanimados, como flores, foguetes, estátuas, dá vida à animais de todos os tipos, e por último menciona criaturas místicas tais como sereias e grifos. Outro ponto que percebi foi o envolvimento da religião católica em alguns dos contos, e mesmo que indiretamente, o leitor é capaz de associar alguns fatos históricos religiosos aos contos.

Logo no começo da obra, no prefácio, há um trecho mencionado por Lima (2010)* o qual gostei muito, onde afirma que Wilde gostava de contar histórias para seus filhos e dizia que era o dever dos pais escrever contos de fadas para eles. Eu vejo por mim, e por minha mãe que leu inúmeras histórias quando eu era criança e por meu pai que me deu um livro enorme de conto de fadas e que me permitiam sonhar com as maravilhas de outros mundos.

Apesar da sinopse indicar o livro como obra voltada para o público infanto-juvenil, é válido que qualquer pessoa, de qualquer idade leia. O único conselho que lhes dou é: vão preparados para a realidade que nem todos os finais são felizes para sempre.

*LIMA, Sandra Cristina da Costa. O Príncipe Feliz e outros contos de Oscar Wilde: uma tradução literária, 2010. 

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